sexta-feira, 16 de março de 2012

A tinta do quadro que nunca secou

Tinha sido um intervalo de quase 10 anos. Mas, como por magia, aqueles cheiros a tinta misturada com óleo de linhaça, a agua rás e a verniz, entraram-me pelas entranhas e trouxeram à memória aqueles tempos do atelier e das criações, sem tempo nem hora marcada, onde ás vezes, quase de olhos fechados, deixava o pêlo do pincel deslizar, extendendo a tinta como veludo pela tela texturada. A era da cor, fundida, fusionada numa paleta harmónica e progressiva, crescente entre frio e quente. Os corpos fluídos sobre a tela numa continuação da minha mão...
Como se fosse ontem, voltaram as saudades de uma paixão a quem nunca se deu o tempo ou a dedicação necessária para florescer.Um amor sempre presente, subliminar,adormecido, mas nunca abandonado.
(Re) começa agora este capitulo da minha vida. A fase da criação, da libertação e da entrega, às coisas que me apaixonam, que me movem e que me fazem, outra vez, sentir a arte, no seu estado mais puro, a apoderar-se dos meus sentidos e da minha alma.