Ontem foi um dia importante pra ti, meu amor
ontem a tua pele recebeu a primeira de muitas
marcas que a vida dá
marcas da tua traquinice
do teu ser teimoso e irrequieto
que sem culpa e razão cedo começa a aprender
Ontem foste a mais pequenina mulher
e a mais grande, sim, dizes mais grande,
menina do mundo
A tua coragem serviria de lição
para muitos crescidos neste mundo cão
Ontem o mundo parou
o meu mundo, pelo menos
esse parou
sob os gritos assustados da tua voz pequenina
pelo injusto que foi ver-te sofrer
Não há dor maior para uma mãe
não há dor mais injusta
que a do pranto sofrido de um bébé
Quantas de nós
sofreriamos por ti?
trocaríamos a nossa saude
só e apenas para evitar
ver esses olhos de lágrimas cheios
e essa voz rouca e cansada de tanto chorar
Quantas não daríamos a vida
a própria vida,
para que todo o sofrimento que esta trará
fosse nosso?
Ontem foi a primeira de muitas
marcas da vida
na tua pele.
São dores...mas são histórias
histórias de dores para contar
que te trarão sorrisos também
Meu amor,que esta seja pequenina
que te passe depressa
e que aprendas rápido
para não ter de te ver sofrer outra vez!
Não tem de haver motivo ou razão. Tem de haver, sim, uma inquietação, um nervoso miudinho de escrever palavras soltas, muitas vezes desprovidas de interpretação, mas que são a impressão digital, lavrada a tinta da alma do escritor. Papel químico do seu pensamento.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Mundo cão

Vendi a minha alma ao diabo. Quanto custa uma alma? Quanto vale uma vida? sugam-me os dias, as horas, os sorrisos. Levam-me devagarinho, em compasso de tortura,a esperança. A cada dia que passa sinto-me com menos energia, como se uma parte de mim fosse minguando e ficasse cada vez mais enfezada. As conversas espalham-se como um cancro e minam todas as entradas. As saídas estão cada vez mais fechadas. Não posso sair. Não tenho outro sitio onde entrar. Há uma bola que cresce na minha garganta e me vai roubando o ar, pouco a pouco. E a cada inspiração que dou o ar sai com mais resistencia. Isto faz-me mal. Aparecem-me cabelos brancos e a minha pela revela em cada dia, cada ano que passa. Esta crise não é uma crise da economia. É uma crise das pessoas. Uma crise dos valores, que já não existem. Uma crise que está a revelar o pior de cada um de nós. Já dizia Lincoln que "Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder." É na guerra que se vê a massa de que cada um é feito e que os homens mesquinhos se revelam sempre no final. Pois é esta a guerra que se vive nos tempos de hoje. A da gente que atropela, que não vê meios para atingir os fins, a da violencia psicológica, dos segredinhos e das ameaças. O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente. A lei da sobrevivencia nem sempre é a do mais apto.Nesta merda de mundo em que vivo cada dia, a lei é a do "salve-se quem puder". É a lei das ruas. A lei do mais apto é antes a lei do mais rato. Do mais cabrão, do mais chico esperto. Para essa lei, assumo, sou marginal. Não cumpro. Não me revejo, nem me retrato. Não lhe reconheço autoridade. É oficial: Aos 33 anos, sou ainda uma inadaptada ao mundo cão em que vivo.
"O poder sem moral transforma-se em tirania." (Jaime Balmes)
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Tango Pasión
Compasso de tango. Compasso descompassado, fluido, suave e estilizado. No compasso damos passos arrastados, outros tortos, mas sem perder o contacto. Corpos que com o passar do compasso e a cada passo se unem. Os corpos tomam contacto e vão-se conhecendo, a cada passo. E o tempo passa com o passo, mas o compasso do tempo não passa por nós. O tempo pára nesse passo. E nesse passar compassado do compasso dos nossos corpos vejo, passo a passo, essa dança, descompassada a fluir.No crescendo da musica e dos olhares que se cruzam damos passos e passamos a compasso de um sentimento que cresce, descompassado de olhos fechados. E que bom que é acertar de uma vez o passo num compasso, tão descompassado mas ainda assim tão acertado, que flui em tango como só o nosso.
Apartado nostálgico de uma sexta de Outono
11-11-2011
Tarde de sexta. Lisboa. O mundo não acabou e a data mística deixa um ambiente inóspito no ar. Cai uma névoa azul cinza sobre a minha cidade. A mesma que me queixo num dia de verão, a mesma que sei apreciar num dia de outono. Uma brisa fria entra pela brecha da janela que deixei aberta. Cheira-me a rio. Nesta luz me perco.
É ela que me ilumina os fins de tarde de viagem, quando passeio pelas ruas em Paris, e na qual vejo reflectirem-se no Sena as luzes que se vão acendendo , tímidas, a pouco e pouco. É ela também que me acompanha á beira Tejo, que cheira a castanhas nesta sexta de Santo Agostinho. É ela que imagino no castelo, ou da tua janela. Fria, reflectida no branco da minha camisa, enquanto abrimos um vinho tinto quente e acendemos a lareira. De repente, se me abstrair da hora vejo apenas o céu azul. Azul como nos sitios cheios de sol, azul de mar, de dias longos e felizes. Mas não. Os dias seguem, curtos e cinzentos, mas porém felizes.
Da nostalgia dos dias aprendi a tirar proveito dos pequenos prazeres. Um chá á lareira, um copo de tinto encorpado, entrar numa cama fofa e quentinha e enroscar-me a ver um filme numa tarde chuvosa, embalada pela chuva que cai, em cadência redonda, no telhado. Embaciar as janelas do carro. E, melhor que tudo, andar abraçada a quem mais quero. No frio , tudo é pretexto para se andar agarrado. Sem duvida que a felicidade não tem estação do ano, é apenas e sempre azul.
Tarde de sexta. Lisboa. O mundo não acabou e a data mística deixa um ambiente inóspito no ar. Cai uma névoa azul cinza sobre a minha cidade. A mesma que me queixo num dia de verão, a mesma que sei apreciar num dia de outono. Uma brisa fria entra pela brecha da janela que deixei aberta. Cheira-me a rio. Nesta luz me perco.
É ela que me ilumina os fins de tarde de viagem, quando passeio pelas ruas em Paris, e na qual vejo reflectirem-se no Sena as luzes que se vão acendendo , tímidas, a pouco e pouco. É ela também que me acompanha á beira Tejo, que cheira a castanhas nesta sexta de Santo Agostinho. É ela que imagino no castelo, ou da tua janela. Fria, reflectida no branco da minha camisa, enquanto abrimos um vinho tinto quente e acendemos a lareira. De repente, se me abstrair da hora vejo apenas o céu azul. Azul como nos sitios cheios de sol, azul de mar, de dias longos e felizes. Mas não. Os dias seguem, curtos e cinzentos, mas porém felizes.
Da nostalgia dos dias aprendi a tirar proveito dos pequenos prazeres. Um chá á lareira, um copo de tinto encorpado, entrar numa cama fofa e quentinha e enroscar-me a ver um filme numa tarde chuvosa, embalada pela chuva que cai, em cadência redonda, no telhado. Embaciar as janelas do carro. E, melhor que tudo, andar abraçada a quem mais quero. No frio , tudo é pretexto para se andar agarrado. Sem duvida que a felicidade não tem estação do ano, é apenas e sempre azul.
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