sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Insanity- take 1


Olhaste para mim. No teu olhar já não havia o amor e a calma de outrora. Era apenas um vazio imenso, quase pena, desprovido de qualquer calor que pudesse aquecer uma alma fria com a minha. Faziam hoje 3 anos e estávamos no final. O nosso dia a dia já nada tinha a ver com aquilo que se chama uma relação saudável. Alternávamos entre a indiferença e o ódio. Explodíamos como duas bombas relógio a qulquer altura e por nada. Mas no final, tudo acabava da mesma forma:... Eu a chorar, e tu com pena de mim. Deitava a cabeça no teu colo e aninhava-me, como a criança que se portou mal regressa ao colo do pai. E dizia: "desculpas, não desculpas?" Tu inspiravas profundamente e expiravas, num suspiro profundo que denunciava já o cansaço de muitos meses e muitas noites de sono perdidas. Gastas e desgastadas em conflitos tumultuosos que iam deixando marcas profundas e inapagáveis nas nossas vidas. Na vida que antes era a nossa, uma só, dos dois.
Retive-me, uma ultima vez, em ti. Estavas oco, vazio, nada mais tinhas para me dar que não paciencia. O teu coração acalmava-me quando o ouvia no teu peito. E assim adormeci.

Um dia acordei e já não estavas. Levaste as roupas, os quadros e as fotografias! tinhas-me deixado? Eu, que nunca te fiz mal?! não era justo! tantos anos perdidos e abandonavas-me. Saiste pela noite como uma cão rafeiro, cobarde, que não quer enfrentar a sua culpa. No fundo tu sabias que nada mais havia a fazer e que não conseguias salvar nada! no fundo tu eras um perdedor que abandonava o jogo a meio quando via o final a aproximar-se menos feliz. E eu, que pensara um dia, que eras daqueles que aguentava, estóico, até que não mais forças houvessem para aguentar. Sob tortura, sob o que fosse, mas que nunca me deixarias! Afinal e no final a raça humana é toda a mesma corja! Fizeste-o da mesma forma. Foste igual a tantos outros! tudo cobardes e imbecis! Como é que, uma vez mais eu não soube ver que eras igual. Que só me quiseste a teu lado enquanto tudo foram rosas. Que o "viveram felizes para sempre" não passa de uma velha história que uma cabra qualquer contou para que todas as gajas no mundo acreditassem que havia um filha da puta de um homem que um dia resolveria todos os seus problemas e as faria feliz?? Foda-se! Como é que eu não vi isto? Tantas noites eu me encantei por ti, tantas noites eu pedi a Deus que não me cruzasse com mais ninguém para eu não ter a tentação de ser infiel,que não me levasse o amor e essa admiração, só porque não queria estragar tudo! Só porque achava que eras mesmo tu!! Tanta preocupação para nada...
Para acabar agora, sim agora, a falar sózinha, de maquilhagem borrada e olhos inchados , a falar sozinha, louca, de olhos inchados para um espelho? ...Sózinha, de maquilhagem borrada a gritar e a partir tudo o que me aparece á frente e me faz lembrar de ti! Mas não há nada, porque tu levaste tudo! mas se não há nada porquê que te vejo e não me esqueço de ti?? Porque que sinto o teu cheiro ainda no ar, e em tudo o que vejo, se levaste tudo? Porque te vejo se nada há onde possas estar? Leva-me a mim também, porque não me levaste...????...Porquê??...... Porque te esqueceste de mim e não das botas ou dos sapatos em que pisas? Porquê?...... Porque não me respondes, porra? Eu sei que não estás mas responde-me!!..... Ouviste??!..... estou a falar contigo ! Não finjas que não me ouves porque eu sei que sim!...Eu oiço-te!!... estás sempre a fazer-te de estupido e sonso e finges que não ouves, mas eu sei, bem sei onde estás!... Estás para aí escondido que nem um rato do esgoto!Estás a rir-te, baixinho, da minha triste figura, praí escondido, não é??... Ouviste?!?.... Responde-me porra! SaI
!!!... Sai do buraco rato!! SAAAI!!!!... Porra, vês? Vês o que me fazes?...CAla-te!! Caaala-te!! Porque me fazes isto??...(chora) Porque me fazes isto? porquê a mim, que te amo?...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como o Sol regressa sempre aos nosso olhos...


Sempre olhei os outros nos olhos. Sempre tentei ler a sua linguagem, entre o brilho ou a névoa densa, o nervoso cintilante ou o olhar fixado, perdido. Sempre percebi se tentavam ler os meus. Umas vezes fugi, outras deixei-me ler. Gosto do pestanejar e particularmente da lágrima fácil, sinal quase sempre de um coração grande e bom. Gosto do olhar porque não tem idade, não se camufla, pode ser uma criança de 4 anos insegura, ou uma segura mulher de 30. Gosto do olhar porque não mente. Deixa-me ler tantas vezes a alma de quem me olha também. E nessa troca recebo, de coração aberto, esse estado de espirito, que me contagia num sentido ou noutro.
Ontem olhei para ti. Pela primeira vez, em tantos meses de penumbra, vi o Tejo regressar ao teu olhar e a lua reflectida nele. Tinhas a leveza de uma lua nova,mas estavas cheia como a lua de ontem! luminosa, sorridente, suave e fresca. E naquela que foi, seguramente, uma das noites mais quentes do ano, refrescaste e perfumaste o nosso ar como a brisa atlantica que tanto descreves. Senti-te pairar acima do sitio onde estiveste, abandonar as águas lamacentas que não te deixavam mover e te puxavam para baixo. Senti-te liberta, talvez seja isso, senti-te livre. Livre para ser, de novo, feliz.
E como este foi, para mim, o teu ponto de viragem, o dia em que vi o sol fundir-se em lua e voltar a brilhar aí dentro, a ti te dedico este post, ou este dia luminoso e cheio de sol, a cheirar a verão e a relva acabada de cortar, a terra molhada das levadas que percorreste, tão carregada, mas agora tão leve, como o primeiro de muitos que para ti virão!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

amigos

Cada vez me convenço mais que há basicamente três tipos de amigos. Os primeiros são aqueles que são nossos amigos porque estão sempre lá e sempre estiveram, e a relacão foi alimentada de parte a parte, sempre de forma equilibrada. Depois há aqueles que deixámos de ver e falar, mandamos os parabens e sabemos que se os virmos é como se fosse ontem. Mas no fundo já nao fazem parte activa da nossa vida. Em terceiro há aqueles que adoptam connosco a segunda atitude mas nós tentamos, com todas as forças, manter, pela nossa parte, a chama acesa,e somos sempre nós que os procuramos. Desculpamos todas as suas falhas imaginando sempre que são esquecimentos sem maldade e tentando nao acreditar que, se calhar, como em tantas outras coisas na vida, não assumimos para eles a importância que eles assumem para nós. Mais que isso, tentamos ignorar as inúmeras faltas de consideração, respeito, apreço e dedicação, feita de pequenas coisas, que sao a agua e os nutrientes de qualquer amizade. Mas sabemos que tal so é possivel para quem caiu no esquecimento. Tornamo-nos chatos. Cobramos mensagens, telefonemas, amuamos e sentimo-nos abandonados. Fartam-se de nos como de uma namorada melga que perdeu todo o encanto. Até ao dia em que os deixamos. Quando mais tarde precisam de nós, interpõe-se um enorme vazio e talvez aí nos procurem. Mas uma amizade abandonada é como desculpar uma infidelidade. Passa-se mas não se esquece. Obrigada aos que se mantêm. Aos que estão sem eu pedir. Aos que partilham, aos que dão e aos que,no meio das dificuldades da vida,ainda querem receber de nós, esse sentimento tão puro, tao altruísta, desprovido de interesses ou segundas intenções, que é a amizade!