sábado, 22 de janeiro de 2011

As palavras que nunca te direi

6.51 da manhã. Quase a ver o amanhecer. Escrevo a esta hora porque é a hora dos tristes, a hora das saudades, a hora da casa vazia quando se chega de uma noite, que por mais divertida que seja, pode ter, nesta chegada, um final menos risonho.
Sei que não me pesa a consciência, sei que não tive culpa se não li os sinais da melhor forma, porque foi a forma que me foi apresentada e não me foi dada outra opção.Sei que mais vale agora que daqui a uns meses, por mim e por ela. Mas mesmo assim, sinto um aperto no coração. Porque no fundo, com medo de me magoar nesta história toda, nunca fui genuinamente EU. Porque nunca me entreguei a 100% com medo de ser apanhada na curva, porque no fundo, o maior medo que tenho, é que no meio de tanto medo, tenha sido eu a condicionar todo o comportamento dele, que a minha falta de investimento tenha levado aos poucos ao afastamento dele, e que se assim não fosse, talvez não se tivesse criado um fosso tão grande entre nós. Talvez nada tivesse acabado, ou não. O que me deixa maluca nestes casos é não dominar o pensamento do outro, não conhecer a massa de que se constitui.
Mas a verdade, é que apesar de tudo o que possa dizer, sinto um certo arrependimento velado. Sinto que ainda havia tanto por fazer, tanto por conhecer, por descobrir.Sinto que gostava, por um momento de ter coragem de abrir o meu coração e dizer tudo o que sinto, sem medo de me expor ou de me magoar, para que me pudesse conhecer ao menos uma vez. Sinto que ainda estava longe de esgotar todas as hipóteses, mas odeio que me tomem por parva e no calor da situação disse tudo o que pensava e o que senti naquele momento para justificar a minha atitude.
Se me perguntassem o que eu gostava, agora? que estivesses aqui...o que eu não dava para te ver entrar, para sentir que querias voltar e fazermos as pazes. Mas sei que o orgulho de que és feito não te levará a mim, mas ao teu egoísmo. E fecharte-ás em copas, á espera que passe o turbilhão de emoções que te assola.Era tão bom que me enganasse... Sei que podias não estar seguro, mas sei também que gostaste de mim, e que ainda sentes alguma coisa por mim. As vezes que hoje olhei para o telefone, as vezes que desejei ouvir a tua voz, a vontade de sentir o teu abraço, mas nunca passou de um desejo não realizado...
Neste momento são 7 da manha, acabo de voltar de uma noite gira, em que dancei e me diverti com dois amigos dos tempos de escola, daqueles que são como irmãos. Gente que me conhece olhou para mim e questionou-se com qual dos dois estaria a sair e qual quereria saltar-me para cima, o que não deixou de ser divertido porque somos demasiado amigos para o que quer que seja. Vi o Alfaiate! giro, como sempre, e um dos meus amigos pediu-me para o apresentar. Claro que não apresentei porque nem eu o conheço, mas cheguei ao pé dele e disse:" o meu amigo pediu-me para eu dizer quem era o Alfaiate, e aqui está ele!" estiveram 5 minutos a falar, tempo esse em que o ...se desdobrou em piropos e elogiou particularmente a análise sociológica com que o tipo observa a vida e as gentes.
Foi divertido, estive bem, lembrei-me inumeras vezes de ti, mas consegui não te ligar. Agora que chego a casa é que me custa mais. Não é só o frio dos 4 graus lá fora...é o frio que sinto em mim, das saudades que tenho já tuas. É o que me custa imaginar o bom que era entrar sorrateira na tua cama e aninhar-me em conchinha e aquecer o meu corpo gelado no teu ,já quente, de quem dorme tranquilamente há umas horas.
Era adormecer ao embalo do teu bater de coração e da tua respiração. Dói-me que não tenhas percebido o imenso potencial do meu amor por ti.Hoje tenho-o só para mim e não me serve de nada...

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