segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O mundo secreto dos blogues

Desde sempre fui uma rapariga diferente das outras raparigas da minha idade. Já na adolescência, quando as minhas amigas perdiam a cabeça em saídas e festas, eu era uma miúda calma, sonhadora e de amores platónicos. Adorava por um gira-discos antigo a tocar, musicas também antigas, descobertas no fundo do baú da minha mãe e que nada tinham a haver com as musicas que se ouviam no meu tempo.Lembro-me dos discos de vinil de musica country, de Adamo, Françoise Hardy e Joe Dassin. Perdia-me naquelas letras românticas tipo "i needed you " e "et si tu n´existais pas", para muitos chamada "musica para constituir familia" e deixava a minha mente deambular pelos meandros da minha complicada cabeça de típica adolescente do século XX.
Se tivesse vivido 20 anos atrás ou á frente não sei se teria sido diferente. Eu filosofava sobre todas as grandes questões da vida que não têm resposta fácil:Para onde vou, o que quero, quem sou, enfim, para muitos devia ser uma seca. Chorava baba e ranho do nada e lembro-me de me perguntarem "porque choras?" e eu dizia simplesmente" não sei!". A revolução hormonal exerceu em mim um cocktail de efeitos avassalador,que a minha sensibilidade, tão á flor da pele,permitia-me mudar de estado de espírito sem razão aparente e sem explicação lógica, nem sequer para mim própria. Sentia que não exercia um controlo absoluto das minhas emoções.
Hoje sinto que era, sem dúvida, a puberdade; Mas essa sensibilidade estrondosa que em mim brotava,gerava a matéria prima necessária à minha inspiração,que eu materializava sob a forma de desenhos, pinturas, poemas e afins. Aquilo sim eram tempos de verdadeira criatividade.
Hoje sou adulta, a puberdade passou há muito, mas sinto ainda esta necessidade de partilha, de deixar as ideias surgirem ao correr da pena, como gotas de chuva que não cessam sobre o papel, cada vez mais molhado.
Este cantinho é um exercício perfeito a essa sensibilidade bruta e pouco explorada em mim. Aqui desabafo, sonho e partilho. Aqui sou eu e ao mesmo tempo sou apenas a Ninfa de Papel.Aqui posso expor-me e não me expor.
Diariamente encontro esta cumplicidade ao ler outros blogues, como se de uma energia que nos movesse em comum se tratasse. Sinto que o simples acompanhar de blogues que me agradam, me transporta um pouco para a intimidade dos outros escritores ou bloguistas, que é um nome que não adoro. Como se partilhássemos um segredo, como se de uma irmandade se tratasse.
Há uma magia contida em cada post que se partilha, há um desnudar da nossa alma em cada pensamento que expomos, e há a tentativa de absorver, como uma esponja todas as sensações deliciosamente provocadas pela leitura do blog do lado, tentando descortinar quem é o ser que se esconde, por trás daqueles textos ou imagens...
É simplesmente viciante!

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