quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como o Sol regressa sempre aos nosso olhos...


Sempre olhei os outros nos olhos. Sempre tentei ler a sua linguagem, entre o brilho ou a névoa densa, o nervoso cintilante ou o olhar fixado, perdido. Sempre percebi se tentavam ler os meus. Umas vezes fugi, outras deixei-me ler. Gosto do pestanejar e particularmente da lágrima fácil, sinal quase sempre de um coração grande e bom. Gosto do olhar porque não tem idade, não se camufla, pode ser uma criança de 4 anos insegura, ou uma segura mulher de 30. Gosto do olhar porque não mente. Deixa-me ler tantas vezes a alma de quem me olha também. E nessa troca recebo, de coração aberto, esse estado de espirito, que me contagia num sentido ou noutro.
Ontem olhei para ti. Pela primeira vez, em tantos meses de penumbra, vi o Tejo regressar ao teu olhar e a lua reflectida nele. Tinhas a leveza de uma lua nova,mas estavas cheia como a lua de ontem! luminosa, sorridente, suave e fresca. E naquela que foi, seguramente, uma das noites mais quentes do ano, refrescaste e perfumaste o nosso ar como a brisa atlantica que tanto descreves. Senti-te pairar acima do sitio onde estiveste, abandonar as águas lamacentas que não te deixavam mover e te puxavam para baixo. Senti-te liberta, talvez seja isso, senti-te livre. Livre para ser, de novo, feliz.
E como este foi, para mim, o teu ponto de viragem, o dia em que vi o sol fundir-se em lua e voltar a brilhar aí dentro, a ti te dedico este post, ou este dia luminoso e cheio de sol, a cheirar a verão e a relva acabada de cortar, a terra molhada das levadas que percorreste, tão carregada, mas agora tão leve, como o primeiro de muitos que para ti virão!

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