sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Apartado nostálgico de uma sexta de Outono

11-11-2011

Tarde de sexta. Lisboa. O mundo não acabou e a data mística deixa um ambiente inóspito no ar. Cai uma névoa azul cinza sobre a minha cidade. A mesma que me queixo num dia de verão, a mesma que sei apreciar num dia de outono. Uma brisa fria entra pela brecha da janela que deixei aberta. Cheira-me a rio. Nesta luz me perco.
É ela que me ilumina os fins de tarde de viagem, quando passeio pelas ruas em Paris, e na qual vejo reflectirem-se no Sena as luzes que se vão acendendo , tímidas, a pouco e pouco. É ela também que me acompanha á beira Tejo, que cheira a castanhas nesta sexta de Santo Agostinho. É ela que imagino no castelo, ou da tua janela. Fria, reflectida no branco da minha camisa, enquanto abrimos um vinho tinto quente e acendemos a lareira. De repente, se me abstrair da hora vejo apenas o céu azul. Azul como nos sitios cheios de sol, azul de mar, de dias longos e felizes. Mas não. Os dias seguem, curtos e cinzentos, mas porém felizes.
Da nostalgia dos dias aprendi a tirar proveito dos pequenos prazeres. Um chá á lareira, um copo de tinto encorpado, entrar numa cama fofa e quentinha e enroscar-me a ver um filme numa tarde chuvosa, embalada pela chuva que cai, em cadência redonda, no telhado. Embaciar as janelas do carro. E, melhor que tudo, andar abraçada a quem mais quero. No frio , tudo é pretexto para se andar agarrado. Sem duvida que a felicidade não tem estação do ano, é apenas e sempre azul.

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