quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mundo cão


Vendi a minha alma ao diabo. Quanto custa uma alma? Quanto vale uma vida? sugam-me os dias, as horas, os sorrisos. Levam-me devagarinho, em compasso de tortura,a esperança. A cada dia que passa sinto-me com menos energia, como se uma parte de mim fosse minguando e ficasse cada vez mais enfezada. As conversas espalham-se como um cancro e minam todas as entradas. As saídas estão cada vez mais fechadas. Não posso sair. Não tenho outro sitio onde entrar. Há uma bola que cresce na minha garganta e me vai roubando o ar, pouco a pouco. E a cada inspiração que dou o ar sai com mais resistencia. Isto faz-me mal. Aparecem-me cabelos brancos e a minha pela revela em cada dia, cada ano que passa. Esta crise não é uma crise da economia. É uma crise das pessoas. Uma crise dos valores, que já não existem. Uma crise que está a revelar o pior de cada um de nós. Já dizia Lincoln que "Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder." É na guerra que se vê a massa de que cada um é feito e que os homens mesquinhos se revelam sempre no final. Pois é esta a guerra que se vive nos tempos de hoje. A da gente que atropela, que não vê meios para atingir os fins, a da violencia psicológica, dos segredinhos e das ameaças. O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente. A lei da sobrevivencia nem sempre é a do mais apto.Nesta merda de mundo em que vivo cada dia, a lei é a do "salve-se quem puder". É a lei das ruas. A lei do mais apto é antes a lei do mais rato. Do mais cabrão, do mais chico esperto. Para essa lei, assumo, sou marginal. Não cumpro. Não me revejo, nem me retrato. Não lhe reconheço autoridade. É oficial: Aos 33 anos, sou ainda uma inadaptada ao mundo cão em que vivo.
"O poder sem moral transforma-se em tirania." (Jaime Balmes)

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