quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Confissão

Acendo uma vela. Estou a deixar de fumar e por isso não me posso render já á tentação de fumar um cigarro, na tentativa que o seu fumo me inspire a escrever mais e melhor. Mas a verdade é essa. os vicios são fodidos. a vela é bonita, cheira bem, a luz é reconfortante e quente, mas não me inspira. O cigarro passou a ser , desde os tempos de faculdade, um amigo de poucos momentos, mas bons. Amigo destes momentos de inspiração, em que escrevo , desenho, pinto ou simplesmente medito. sim, porque é preciso saber parar, perder tempo para parar, reduzir horas de sono para parar. Mas se nunca parasse nunca chegaria a lado nenhum. Deixarme-ia levar ao sabor do vento e das marés, sem objectivos e sem rumo.Se ás vezes é mesmo isso que quero, na maioria das vezes sinto que tenho de comandar atenta o meu navio, gosto de saber para onde vou, e que caminho quero escolher.

Para variar estou com a minha nostalgia de inicio de ano. Aquela que afecta aqueles que têm demasiados sonhos e projectos, aqueles que não lhes falta vontade e gana para encetar a escalada pelo caminho mais dificil, mas os mesmos, que depois concluem, que há coisas na vida que tem de ser doseadas, que o dia continua a ter 24 horas e não será posiivel este ano de novo por em prática tudo o que querem. Aqueles que lhes falta um pouco de organização e calma para esboçarem uma estratégia como forma de abarcar tudo, em vez de quererem abarcar tudo ao mesmo tempo sem estratégia nenhuma.
Mais uma vez tenho a minha sensibilidade á flor da pele. a vontade de criar é um demónio que me consome. Chega a roçar a luxuria, tal é o prazer que circula pelas minhas veias quando o faço. Tenho uma energia inata que preciso extravasar!seja pela dança, pelo teatro, pela pintura ou desenho...é como se apenas assim fosse possivel exorcizar este demonio, como se depois deste "boom" de energia e ideias e movimento e cor, apaecesse uma calma tranquilizante.Só assim me liberto verdadeiramente e me encontro.
Há apenas uma coisa que me mantém ao longo dos anos distraída, qual psicopata distanciado do "teaser"...muito trabalho ou muito desporto. É a unica forma de não pensar, no que poderia dançar, pintar, criar, inventar...
o problema é esse. Este ano adoraria fazer uns cursos na minha área, adoraria fazer 2 viagens, gostaria muito de me inscrever num curso de pintura ou fotografia, adoraria fazer uma aula, pelo menos de dança semanal, treinar quase todos os dias e adoraria acabar o meu doutoramento. Esta ultima não se mistura com as demais. é apenas um projecto inacabado, que gostaria de por um ponto final. Odeio deixar coisas a meio.
O desporto tem aqui uma função terapeutica. Por um lado as endorfinas enchem-me de energia e boa disposição, por outro é libertador de tensões e um fabuloso antídoto ao stress. A cabeça desliga e voa para longe de qualquer problema.

Chegamos por isso ao momento da nostalgia. Há que escolher! "oh mae mas eu gosto tanto de tudo...", e uma vez mais concluo que há projectos de igual importancia que são uma vez mais adiados, gostos que serão passados para segundo plano e um sem numero de coisas que não sei se algum dia conseguirei conciliar e realizar. É aqui que fico triste. Mas entretanto já exorcizei parte do meu vicio criativo. Acabo de metralhar estas linhas á velocidade que as ideias saiem do meu pensamento, á velocidade que se criam castelos na minha cabeça.

Um dia faço curto-circuito e pronto, dou em maluquinha. Mas é tão divertido. No fundo no fundo, adoro escrever. E adoro ser assim. Eu sei, não sou boa da cabeça, pois não. Não sou equilibrada, pois não, mas...who cares??sou feliz assim. Antes assim que oca e vazia de planos, projectos ou vontades. Adoro esta massa cinzenta que não pára e peço a deus que não páre nunca. Se há coisa que tenho medo, mais que não concretizar os meus planos de vida, os meus sonhos ou objectivos,é disso. Que um dia fique reduzida á imbecilidade. Meu Deus,se algum dia for "esse dia", tira-me uns neurónios e a lucidez. Serei Burra e oca, mas ainda ssim serei feliz.

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