quarta-feira, 8 de junho de 2011

A música que ficou no ouvido...

Há dias em que sabemos o que queremos, sabemos o que nos apetece, mas desconhecemos a situação, o outro, as circunstancias e afins. Cria-se um ambiente de surpresa, de descoberta, de alguma cerimónia mas muita graça e, ajudados ás vezes por um cigarro e uma garrafa de vinho que se abre, a tensão começa a descer, para entrarmos num estar relaxado, aberto e receptivo, a tudo o que queremos ouvir e absorver.
Ontem não abrimos uma garrafa de vinho, mas sem duvida a garrafa de champanhe e o cigarro fumado lentamente na tua varanda, com o tejo a espelhar já uma lua, tímida, que se erguia lentamente no ceu, ajudaram a que toda a conversa começasse a fluir. E se o teu discurso era de questão e duvida, rapidamente , pela transparência das minhas palavras, diluiu-se e desfez qualquer inquietação. Foi assim que "abrimos as hostilidades". A musica ecoava por toda a casa, trazendo-me memórias de outros tempos. Olhava para ti, ás vezes desengonçado e cerimonioso, na tentativa de que nada falhasse na minha recepção.Conversámos, como se fossemos amigos de longa data, ainda que sentisse que exercesses um domínio sobre ti para não correr o risco de dar um passo em falso e estragar aqueles momentos deliciosos, em que duas pessoas se conhecem, se experimentam e se testam, dando o passo seguinte com o cuidado de quem caminha na corda bamba. Lembro-me do cheiro das tuas ervas aromáticas e do livro de cocktails que te dei aberto na página do gin fizz. Lembro-me de olhar para ti e teres sorrido, como se tivesses sido apanhado e de ter sentido algum conforto de pensar que ao menos já o tinhas folheado.O mangericão podia ter sido o aroma da noite se tivesse que a desdobrar nos 5 sentidos, pelo aroma que adoro e por me lembrar os mangericos dos santos , que estão á porta, mas a hortelã afirmou-se como a grande cúmplice da nossa noite. Foi a estrela principal do mojito, da minha autoria, e das pastilhas que comemos depois do jantar,cujo aroma mais tarde partilharíamos em beijos frescos e doces...
Sempre adorei cozinhas. São o centro frenético de actividades de uma casa. é o unico local que pode reunir em si,quase tudo o que se pode fazer em casa, socialmente falando. Nas cozinhas cozinham-se pratos, cozinham-se amizades, conversa-se, explora-se, educam-se os filhos, fumam-se cigarros, petiscam-se gargalhadas entre pratos e cozinham-se paixões, tudo enquanto o cozinhado, verdadeiro está no forno...ou em lume brando...
Jantámos. A mesa desprovida de toalha , velas ou centro de mesa, insinuava a ideia de um jantar á primeira vista frio e impessoal, que face á desculpa do anfitrião ser um homem e graças a um bom tinto para aquecer, rapidamente foi posta de parte. Foi um bom jantar. Longe dos pretensiosismos que em nada te caracterizam, fizeste-me um jantar simples mas saboroso. Em equipa vencedora não vale a pena mexer.
o cansaço dos ultimos dias acumulados, a musica e o segundo copo de vinho faziam-se sentir no peso das minhas pálpebras e pedi-te um café.
Não sei precisar quando se quebrou o gelo e nos enroscámos em beijos e olhares e suspiros...mas lembro-me que uma vez mais,que "chasing cars" podia ter feito parte do line-up. A Playlist era original, era verdadeiramente tua e isso tem tudo para ter mais encanto. Apesar de alguns momentos de insegurança e algum medo, de perder o pé, de me magoar ou de uma vez mais ver as minhas expectativas frustradas, consegui, em alguns momentos espelhar o que sentia, em silencio. Perguntaste-me em que pensava...não te disse.
Os segredos mais íntimos da minha mente são só meus. Aqui e agora posso dizer-te. Pensava em como era mesmo aquilo e mais nada que eu precisava, ali, naquele momento. Um momento de silencio, um olhar que diz tudo sem proferir uma palavra, o calor da tua pele encostado na minha, um sorriso timidamente escondido com vontade de rasgar e tudo isto fundido num abraço de duas almas que parecem encontrar-se tão bem.... vale mais que mim palavras.
Hoje posso dizer, parafraseando o teu conceito e sentido de vida, que ontem encheste o meu litro, sem qualquer tipo de duvida.
Obrigada ás estrelas, por cruzarem os nossos caminhos.

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