
Ontem encerrei o teu capitulo. Na verdade , não posso dizer que não o tivesse já encerrado. Digamos antes que fechei o livro de vez. O capítulo final já tinha sido lido há muito, mas apenas por mim...tu querias e teimavas que não era aquele o fim da história que tinhas projectado e tentavas dissuadir-me do meu final. Ontem fiz-te ver porquê que a história acaba assim. Não foi a melhor forma, mas foi a possível. Afinal, nem todas as histórias acabam com " e viveram felizes para sempre ". Porém tenho a certeza que ambos seremos mais felizes assim e que ás vezes, a felicidade das partes separadas é melhor que a felicidade das duas reunidas. Lamento o fim das histórias. Não apenas porque o final não seja o que em tempos desejei, mas talvez porque , no descortinar do fim da historia em que todos os mistérios são desvendados, emerge a verdadeira essência daquelas pessoas que se esconderam, que tiveram medo de amar mas que por medo ficaram sempre aquém de o fazer, desconhecendo que, invariavelmente irão receber o amor proporcional aquele que deram, o afecto proporcional á partilha que fizeram e colherão os frutos mais pequeninos do pomar. Porque, na altura que semearam as árvores, as regaram como se de cactos se tratassem. Lamento que algumas pessoas, apenas crescam no final e apenas aí, quando o pano desce, encenem a melhor peça, mas para um publico vazio, já distante e surdo...mas faz parte do processo de crescimento e aprendizagem. Disseste-me que te tornei uma pessoa melhor. Ainda que isso me trouxesse algum tipo de regozijo, traz-me apenas um sentimento de pena, a pena de ás vezes, apenas sermos nós que temos a função de ajudar os outros e de fazer crescer. Hoje vejo que eras um ser muito mais completo do que alguma vez pensei e que o teu coração é grande. Mas nós apaixonamo-nos e encantamo-nos por aquilo que nos querem mostrar e dar e tu guardaste todo o teu amor para ti próprio. Um dia li que o apêgo é a consequência do afecto . Hoje posso dizer que cada vez mais devemos dar, amar é dar sem medo, sem medo desse apêgo, que tanto te assustou e que tanto evitaste e que acabou por te prender nas teias da tua propria fragilidade. Aquela que pensaste nunca ter e que eu, sem querer descobri. Aquela que se converteu na tua maior carapaça e que nunca te permitiu sonhar acordado. Ambos crescemos e tiramos conclusões das relações. Aprende-se caindo e levantando e evitando cometer os mesmos erros." Erra, corrige-te. Erra melhor". Tu percebeste na pele que é impossivel alcançar a felicidade e amor sublime sem nos darmos por inteiro e que o que nós damos ao outro, a nós volta sob o efeito "boomerang". Eu percebi que o meu caminho é sem duvida o da temperança, o da verdade e do amor que se entrega sem medo. Mais, aprendi na pele como a ausencia de tudo isto leva a que outros sentimentos mais altos não floresçam e que, por isso mesmo os mais básicos e simples sejam os pilares de todas as relações.
É por tudo isto que o destino cruza caminhos e pessoas. No final, apenas nos devemos arrepender dos caminhos que não percorremos, por medo. Esses , são aqueles que sempre nos intrigarão e, na senda do caminho perfeito, perderemos toda a graça dos atalhos e dos lugares mais perfeitos e recônditos, que por entre espinhos e rochas, nos surgem, ás vezes, como um oásis no deserto. É assim que, ás vezes, se encontra um grande Amor. Foi perdida pelos teus caminhos sinuosos que tive a surpresa de encontrar outro caminho... o caminho mais simples para um Amor Maior.
Encerro assim o teu livro. Nele guardo muitas recordações, umas muito bonitas, outras nem por isso. Foi uma história que gostei de escrever. Gosto sempre. Mas é um livro fechado, porque nele o muito que escrevi, nunca senti que estivesses á altura de o ler...
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